Principais Diferenças entre o Português do Brasil (pt-BR) e o Português chamado “Europeu” (pt-PT)

  • Uso de consoantes mudas (ou pronunciadas) em Portugal, Galiza e África. O “c”, o “p” e o “n” são muitas vezes sons mudos em português quando antecedem outra consoante. No Brasil, como não são pronunciadas na linguagem padrão foram eliminadas da escrita. Assim, enquanto que em pt-PT se escreve “acção”, “baptismo”, “óptimo”, “Egipto”, “Neptuno” e “connosco” (nos dois últimos exemplos, as consoantes são pronunciadas em pt-PT, ao contrário do que acontece em pt-BR); no Brasil escreve-se “ação”, “batismo”, “ótimo”, “Egito”, “Netuno” e “conosco”. Mas nem todas as palavras seguem esta regra: “corrupção” e “intacto” (entre outras), por exemplo, mantêm as suas consoantes também no pt-BR, já que elas são pronunciadas. É importante ressaltar que no Brasil certas palavras de origem que perderam sua consoante muda, tais como “exceção” (pt-PT: “excepção”) têm suas derivadas com a consoante mantida, em razão de esta ser pronunciada – no caso, escreve-se no pt-BR “excepcional” e não “excecional”, além de “egípcio”, e não “egício”. Há ainda um caso específico em que se conserva um h etimológico em palavras começadas por “hum” que não existe no Brasil (escrevendo-se “um-”). Isto acontece apenas em palavras como “húmido/úmido”, “humidade/umidade” e outras palavras que sejam desta mesma origem.
  • Numerais. O que em Portugal significa “mil milhões” no Brasil significa “bilhões”. Além disso escreve-se em pt-PT Catorze, dezasseis, dezassete e dezanove para o que se escreve em pt-BR quatorze, dezesseis, dezessete e dezenove.
  • Nacionalidades e lugares. Alguém que nasceu na Polónia é chamado de “polaco” em Portugal e de “polonês” ou de “polaco” no Brasil. O mesmo vale para “israelita”, “canadiano” e “palestiniano” (em pt-PT), que no Brasil se designam como “israelense” (“israelita” no pt-BR é quem professa a religião judaica ou israelita), “canadense” e “palestino”, respectivamente. E “Médio Oriente”, em pt-PT, é escrito no Brasil como “Oriente Médio”, assim como “Singapura”, “Jugoslávia” (actual Sérvia e Montenegro) e “Vietname” em pt-PT, são escritos “Cingapura”, “Iugoslávia” e “Vietnã” em pt-BR.
  • Siglas. A “SIDA” lê-se, em ambos pt-BR e pt-PT como “Síndrome da Imonudeficiência Adquirida”. No entanto, no Brasil, a leitura da sigla como “AIDS”, embora proveniente da sigla em língua inglesa (Acquired Immunodeficiency Syndrome), é de uso comum e é perfeitamente compreensível em um diálogo. De forma similar, a leitura da sigla “ADN” (ácido desoxirribonucléico) é igual em ambos os países, embora ao menos no Brasil também seja de uso comum a forma inglesa, “DNA”. Ocorre o inverso com a sigla da Organização do Tratado do Atlántico Norte, cuja sigla é preferida no original em inglês (NATO) no pt-PT e traduzida para sua equivalente em português (OTAN) no pt-BR.
  • Uso do trema no Brasil. As sílabas “qüe”, “güe”, “güi” são usadas no Brasil para indicar que o “u” é lido, mas não em Portugal e África (escreve-se simplesmente “que”, “gue” ou “gui”), apesar de ser lido da mesma forma. Exemplo: pt-BR “agüentar”, “freqüente”, pt-PT “aguentar”, “frequente”. É fundamental observar que a regra brasileira determina o uso do trema, mas ela não é seguida por muitos. Há até veículos de comunicação que aboliram por si próprios o sinal (p. ex.: Revista IstoÉ, por exemplo). O acordo ortográfico de 1990, que talvez seja adoptado em breve, prevê a completa abolição do trema na escrita do português.
  • Variações de léxico e sinalização. As placas de trânsito que indicam parada/paragem obrigatória são escritas, em Portugal, como no inglês “STOP”, enquanto no Brasil são escritas como “PARE”. “Caminhonete” (ou também “Camioneta” ou “Perua”), em pt-BR, significa, em pt-PT, “carrinha” ou “camioneta”. “Sedã” em pt-BR equivale à denominação “berlina” em pt-PT; “Ônibus”, em pt-BR, equivale a “autocarro” em pt-PT. “Equipe”, “console”, “tela”, “câncer” e “terremoto”, em pt-BR, significam “equipa”, “consola”, “ecrã”, “cancro” e “terramoto” em pt-PT, respectivamente.
  • Acentuação variável. Devido à pronúncia padrão de cada país, as vogais “o” e “e” antes das consoantes nasais “m” e “n”, quando tônicas, são fechadas no Brasil e abertas em Portugal e África. Ex. pt-BR “Mônica”, “Antônio” e “econômico”, pt-PT “Mónica”, “António” e “económico”. No Brasil, as palavras terminadas em “éia” têm o “é” do ditongo “ei” acentuado, mas não no português escrito na África e Portugal. Assim, escreve-se “Assembléia” e “Européia” no pt-BR e “Assembleia” e “Europeia” em Portugal. Também no Brasil utiliza-se o acento circunflexo no penúltimo o (fechado) do hiato oo: “vôo”, “enjôo”, “abençôo”, “perdôo”, etc. Em Portugal: “voo”, “enjoo”, “abençoo”, “perdoo”.
  • Significados diferentes. Algumas palavras têm significados diferentes nos dois países. Alguns exemplos:
  1. No Brasil, “puto” é uma gíria para prostituto no sentido pejorativo, e em Portugal significa apenas uma criança do sexo masculino.
  2. Em Portugal, “bicha” pode ser o que os brasileiros entendem por “fila”, muito embora a palavra também tenha o significado brasileiro de homossexual.
  3. No Brasil, “banheiro” é o que em Portugal se chama “casa de banho”; em algumas zonas de Portugal, “banheiro” é o que os brasileiros chamam de “salva-vidas” ou “guarda-vidas”. “Salva-vidas” também é usado em Portugal.
  • Datas. No Brasil, os meses são escritos com letras minúsculas (janeiro, fevereiro, etc.) e o primeiro dia de cada mês recebe uma menção especial como em 1º de abril. Em Portugal, meses com letra maiúscula e sem diferença entre primeiro dia do mês e os outros (ex. 1 de Março).
  • Novos Países e cidades do mundo. Devido ao português não ter tido gestão centralizada, alguns novos países têm nomes um pouco diferentes nas duas versões. Em relação aos países de língua árabe, em Portugal e África optou-se pela forma tradicional de tradução em que “an” torna-se “ão”. No Brasil, isto foi esquecido, e “an” é adaptado diretamente à fonética da língua portuguesa, em que “an”, lê-se e torna-se “ã”. Exemplos, pt-PT: “A capital do Irão é Teerão”; pt-BR: “A capital do Irã é Teerã”. No entanto, há excepções e no Brasil certas localidades/países ficam na forma tradicional igual à de todos os demais países, exemplos: “Paquistão” e “Afeganistão”.
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9 comments so far

  1. silveira on

    Legal um blog dedicado à nossa lingua. Ela é assassinada aos pouquinhos todo dia na internet e em muitos blogs também. Não acho que devemos ficar policiando demais o uso da língua à ponto de impedir a comunicação, mas devemos ser cautelosos ao escrever.
    Boa iniciativa.

  2. ruizito on

    É bom encontrar em linha quem fale das diferenças sem ficar “de pé atrás”. O Português é uma língua de carácter global mas que tem vivido fragmentada entre os seus vários portadores. Têm-se mantido durante séculos divergências infantis entre os dois pólos principais do português. É uma querela inútil. Mostrar descomplexadamente as diferenças acaba por ser um passo para a uniformização, ou pelo menos para a coexistência amigável.

    Um reparo ao último ponto (“Novos Países e cidades do mundo”): o autor diz que “Em relação aos países de língua árabe, em Portugal e África optou-se pela forma tradicional de tradução em que “an” torna-se “ão”. No Brasil, isto foi esquecido, e “an” é adaptado diretamente à fonética da língua portuguesa, em que “an”, lê-se e torna-se “ã””. No português falado em Portugal, Irão diz-se mesmo irÃO, com o ‘ã’ e o ‘o’. O ditongo “ão” é fonético. Tal como em cão, excepção, coração, comilão, e por aí fora. Aliás, alguém sabe ao certo qual a motivação para a queda do ditongo no Brasil? Do meu ponto de vista longínquo, parece-me algo forçado. Quase um prolongamento das tais querelas de tempos passados. Ou não?

  3. ana rosa on

    eu gostaria de solicitar uma lista de gírias mais faladas em portugal para a realização de um trabalho,peso urgencia pos a realizaçao desse trabalho e para sexta feira dia 30/03/07 peso que me ajude pois e muito dificil achar gírias de portugal e dou uma sugestao para vocês coloque girias de portugal vocês serao os unicos a terem gírias de eportugal!

  4. GAbriel on

    Pelo amor de Deus!!!! A Ana Rosa não sabe falar nem português e quer gírias de Portugal?????? Meu Deusssss!!!!!!

  5. Daniel Pinto on

    Só deixo um reparo… O facto de na oralidade existirem diferenças não significa que essas sejam transpostas para a expressão escrita. Caso contrário em Portugal também teria que haver espaço a “dialectos”, nortenhos, lisboetas, algarvios, etc..
    Existe um acordo ortográfico e isso é que rege a Língua em termos formais não o facto de na oralidade ser “assim ou assado”.

  6. Eduardo on

    Muito bom! Parabéns. Precisa se tornar um “sítio” (prefiro site). Com “todas” as diferenças. Tenho que trabalhar com o LELLO e com o HOUAISS ao mesmo tempo. Agora aqui já é mais fácil.

    Queria saber (gostava de saber, fala-se em Portugal) como é APELIDO em Lisboa uma vez que apelido é o nome de família. Na gíria (calão, por lá) como se diz “apelido” (no Brasil…)

  7. Cosmic Boy on

    Gostaria de saber sobre a redução de palavras com o uso de (‘), como por exemplo:
    ‘tá-se, ‘tou, p’ra, etc..

    o//

  8. dani on

    edorei ter conhecido essa pagina me ajudou mto nos meus trabalhos de faculdade!!!
    valeu por quem criou essa pagina e continue nessas diferenças de portugues no Brasil e em Portugal é mto importante as pessoas saberem q nem sempre por as linguas serem parecidas sao iguais!!!

  9. Dennys on

    Adorei este site! Estou usando nas minhas aulas de português na Polônia! Obrigado!


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