Hífen; divisão silábica.

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XIV – Hífen

45. Só se ligam por hífen os elementos das palavras compostas em que se mantém a noção da composição, isto é, os elementos das palavras compostas que mantêm a sua independência fonética, conservando cada um a sua própria acentuação, porém formando o conjunto perfeita unidade de sentido.

46. Dentro desse princípio; deve-se empregar o hífen nos seguintes casos:

a) Nas palavras compostas em que os elementos, com a sua acentuação própria, não conservam, considerados isoladamente, a sua significação, mas o conjunto constitui uma unidade semântica: água-marinha, arco-íris, galinha-d’água, couve-flor, guarda-pó, pé-de-meia (mealheiro; pecúlio), pára-choque, porta-chapéus, etc.

Observações:

1ª – Incluem-se nesta norma os compostos em que figuram elementos foneticamente reduzidos: bel-prazer, és-suete, mal-pecado, su-sueste, etc.

2ª – O antigo artigo el, sem embargo de haver perdido o seu primitivo sentido e não ter vida à parte na língua, une-se por hífen ao substantivo rei, por ter este elemento evidência semântica:el-rei.

3ª – Quando se perde a noção do composto, quase sempre em razão de um dos elementos não ter vida própria na língua, não se escreve com hífen, mas aglutinadamente: abrolhos, bancarrota, fidalgo, vinagre, etc.

4ª – Como as locuções não têm unidade de sentido, os seus elementos não devem ser unidos por hífen, seja qual for a categoria gramatical a que elas pertençam. Assim, escreve-se vós outros (locução pronominal), a desoras (locução adverbial) a fim de (locução prepositiva), contanto que (locução conjuntiva), porque essas combinações vocabulares não são verdadeiros compostos, não formam perfeitas unidades semânticas. Quando, porém, as locuções se tornam unidades fonéticas, devem ser escritas numa só palavra: acerca(adv.), afinal, apesar, debaixo, decerto, defronte, depressa, devagar, deveras, resvés, etc.

5ª – As formas verbais com pronomes enclíticos ou mesoclíticos e os vocábulos compostos cujos elementos são ligados por hífen conservam seus acentos gráficos: amá-lo-á, amásseis-vos, devê-lo-ia, fá-la-emos, pô-las-íamos, possuí-las, provêm-lhes, retêm-nas; água-de-colônia, pão-de-ló, pára-sóis, pesa-papéis, etc.

b) Nas formas verbais com pronomes enclíticos ou mesoclíticos: ama-lo (amas e lo), amá-lo (amar e lo), dê-se-lhe, fá-lo-á, oferecê-la-ia, repô-lo-eis, traz-me, vedou-te, etc.

c) Nos vocábulos formados pelos prefixos que representam formas adjetivas, com anglo, greco, histórico, ínfero, latino, lusitano, luso, póstero, súpero, etc.:

anglo-brasileiro, greco-romano, histórico-geográfico, ínfero-anterior, latino-americano, lusitano-castelhano, luso-brasileiro, póstero-palatal, súpero-posterior, etc.

Observação:

Ainda que esses elementos prefixais sejam reduções de adjetivos, não perdem a sua individualidade morfológica, e, por isso, devem unir-se por hífen, como sucede com austro (=austríaco), dólico (=dolicocéfalo), euro (europeu), telégrafo (=telégrafico), etc.: austro-húngaro, dólico-louro, euro-africano, telégrafo-postal, etc.

d) Nos vocábulos formados por sufixos que representam formas adjetivas como açu, guaçu e mirim, quando o exige a pronúncia e quando o primeiro elemento acaba em vogal acentuada graficamente: andá-açu, amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açú, etc.

e) Nos vocábulos formados pelos prefixos:

a) auto, contra, extra, infra, intra, neo, proto, pseudo, semi, supra e ultra, quando se lhes seguem palavras começadas por vogal, h, r ou s: auto-educação, contra-almirante, extra-oficial, infra-hepático, intra-ocular, neo-republicano, proto-revolucionário, pseudo-revelação, semi-selvagem, ultra-sensível, supra-sumo.

Observação:

A única exceção a esta regra é a palavra extraordinário, que já está consagrada pelo uso. b) ante, anti, arqui e sobre, quando seguidos de palavras iniciadas por h, r ou s: ante-histórico, anti-higiênico, arqui-rabino, sobre-saia, etc.

c) super, hiper e inter, quando seguidos de palavra principiada por h ou r: super-homem, super-requintado, hiper-rancoroso, hiper-realismo, inter-humano, inter-racial.

d) ab, ad, ob, sob e sub, quando seguidos de elementos iniciados por r: ab-rogar, ad-renal, ob-reptício, sob-roda, sub-reino, etc.

Observação:

Emprega-se o hífen nos vocábulos formados pelo prefixo sub, quando seguido de elemento iniciado por b. Ex.: sub-base, sub-bibliotecário.

e) pan e mal, quando se lhes segue palavra começada por vogal ou h: pan-asiático, pan-helenismo, mal-educado, mal-humorado, etc.

f) bem, quando a palavra que lhe segue tem vida autônoma na língua ou quando a pronúncia o requer: bem-ditoso, bem-aventurança, etc.

g) sem, sota, soto, vice, vizo, ex (com o sentido de cessamento ou estado anterior), pára, co, grão, grã, além, aquém, recém: sem-cerimônia, sota-piloto, sota-ministro, vice-reitor, vizo-rei, ex-diretor, pára-brisa, co-piloto, grão-duque, grã-duquesa, além-mar, aquém-fronteira, recém-casados.

h) pós, pré, e pró, que têm acento próprio, por causa da evidência dos seus significados e da sua pronunciação, ao contrário dos seus homógrafos inacentuados, que, por diversificados foneticamente, se aglutinam com o segundo elemento: pós-meridiano, pré-escolar, pró-britânico; mas pospor, preanunciar, procônsul, etc.

XV – Divisão silábica

47. A divisão de qualquer vocábulo, assinalada pelo hífen, em regra se faz pela soletração, e não pelos seus elementos constitutivos segundo a etimologia.

48. Fundadas neste princípio geral, cumpre respeitar as seguintes normas:

a) A consoante inicial não seguida de vogal permanece na sílaba que a segue: cni-do-se, dze-ta, gno-ma, mne-mô-ni-ca, pneu-má-ti-co, etc.

b) No interior do vocábulo, sempre se conserva na sílaba que a precede a consoante não seguida de vogal: ab-di-car, ac-ne, daf-ne, drac-ma, ét-ni-co, nup-cial, ob-fir-mar, op-ção, sig-ma-tis-mo, sub-por, sub-ju-gar, etc.

c) Não se separam os elementos dos grupos consonânticos iniciais de sílaba nem os dos digramas ch, lh e nh: a-blu-ção, a-bra-sar, a-che-gar, fi-lho, ma-nhã, etc.

Observação:

Nem sempre formam grupos articulados as consonâncias bl e br; nalguns casos o l e o r se pronunciam separadamente, e a isso se atenderá na partição do vocábulo, e as consoantes dl, a não ser no termo anomatopéico, dlim, que exprime toque de campanhia, proferem-se desligadamente, e na divisão silábica ficará o hífen entre essas duas letras: Ex.: sub-lin-gual, sub-ro-gar, ad-le-ga-ção, etc.

d) O sc no interior do vocábulo biparte-se, ficando o s numa sílaba e o c na sílaba imediata: a-do-les-cen-te, con-va-les-cer, des-cer, ins-ci-en-te, pres-cin-dir, res-ci-são, etc.

Observação:

Forma sílaba com o prefixo antecedente o s que precede consoante: abs-tra-ir, ads-cre-ver, ins-cri-ção, ins-pe-tor, ins-tru-ir, in-ters-tí-cio, pers-pi-caz, subs-cre-ver, subs-ta-be-le-cer, etc.

e) O s dos prefixos bis, cis, des, dis, trans, e o x do prefixo ex não se separam quando a sílaba seguinte começa por consoante; mas, se principia por vogal, formam sílaba com esta e separam-se do elemento prefixal: bis-ne-to, cis-pla-ti-no, des-li-gar, dis-tra-ção, trans-por-tar, ex-tra-ir, bi-sa-vô, ci-san-di-no, de-ses-pe-rar, di-sem-té-ri-co, tran-sa-tlân-ti-co, e-xér-ci-to, etc.

f) As vogais idênticas e as letras cc, cç, rr e ss separam-se, ficando uma na sílaba que as precede e outra na sílaba seguinte: ca-a-tin-ga, co-or-de-nar, du-ún-vi-ro, fri-ís-si-mo, ge-e-na, in-te-lec-ção, oc-ci-pi-tal, pror-ro-gar, res-sur-gir, etc.

Observação:

As vogais de hiatos, ainda que diferentes uma da outra, também se separam: a-ta-ú-de, ca-í-eis, do-er, du-e-lo, fi-el, flu-iu, fru-ir, gra-ú-na, je-su-í-ta, le-al, mi-ú-do, po-ei-ra, ra-i-nha, sa-ú-de, vi-vi-eis, vo-ar, etc.

g) Não se separam as vogais dos ditongos – crescentes e decrescentes – nem as dos tritongos: ai-ro-so, a-ni-mais, au-ro-ra, a-ve-ri-güeis, ca-iu, cru-éis, en-jei-tar, fo-ga-réu, fu-giu, gló-ria, i-guais, ja-mais, jói-as, ó-dio, quais, sá-bio, sa-guão, sa-guões, su-bor-nou, ta-fuis, vá-rios, etc.

Observação:

Não se separa do u precedido de g ou q a vogal que o segue, acompanhada ou não de consoante: am-bi-guo, e-qui-va-ler, guer-ra, u-bi-quo, etc.

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Um comentário em “Hífen; divisão silábica.

    Eder L disse:
    16 maio, 2007 às 1:18 am

    gostaria de saber se a palvra : oce e correto ou errado ?

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