Saddam Hussein: de Ditador a Poeta-Mártir

saddam hussein Em seus últimos dias, Saddam Hussein se voltou para a poesia, muitas vezes sua consolação em tempos de dificuldade, inspirado em sua visão dele mesmo como inseparavelmente unido àqueles que liderava.
O poema, “Solte isso”, em seu último discurso para ser ouvido do túmulo. É uma mistura de desacato com reflexão, mas sem remorso. Nenhuma menção as 10.000 vidas que ele foi responsável por tirar. Nenhuma expressão de culpa, tristeza ou arrependimento. O poema, coberto com frases estilizadas que eram sua marca, começa com o que parece com um canto de glória ao amor entre ele e seu povo, que estava prestes a perdê-lo. “Solte sua alma. Ela é minha alma gêmea e você é o amado de minha alma Nenhum lar poderia ter abrigado meu coração como você fez” Ele rapidamente muda para uma linguagem mais agressiva. Refere-se aos estrangeiros que o tiraram do poder e aos iraquianos que surgiram para governar em seu lugar. “Os inimigos trouxeram traidores para nosso mar E aquele que os serve irá cair em prantos Aqui nós desvelamos nossos peitos para os lobos E não tremeremos diante da besta”. Os versos foram escritos por Saddam depois que ele foi sentenciado a morte, e de acordo com seus parentes, devem ser suas últimas palavras escritas. Uma cópia feita à mão do poema passou pelas autoridades iraquianas até a sua família em Tikrit, juntamente com seu úlitmo pedido e testamento, segundo o primo de Saddam, Muaved Dhamin al-Hazza. Al-Hazza leu o poema pelo telefone, e disse que ele esperava que a despedida de Saddam ressaltasse a maneira com que sua execução foi realizada. Oficiais americanos e iraquianos confirmaram que um poema deixado entre os pertences de Saddam no centro de detenção militar dos EUA foi entregue à sua família. No poema, Saddam elogia aqueles que continuarão a lutar pela nação iraquiana e condena os “lobos” que trouxeram a ruína com a sua invasão. Ele se descreve como um mártir. Seu poema, como seus discursos em momentos decisivos de sua ditadura eram normalmente, é obscuros, aliterativos e difíceis, até para oradores árabes, compreenderem por completo. Familiares iraquianos com seu estilo ajudaram a traduzir seu poema de morte. Ele é mais claro quando fala sobre como ele se vê na luz de sua eminente morte. “Eu sacrifico minha alma por você e por nossa nação Sangue é barato nos tempos difíceis”. Saddam disse para seu biógrafo oficial que ele se importava pouco com o que as pessoas pensavam dele quando ele era vivo, mas ele esperava ser respeitado como um dos gigantes da história – como Nabucodonossor ou Saladim – daqui a 500 anos.

fonte:Marc Santora e John F. Burns, New York Times

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