As Pérolas do Paulo Coelho

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“Muitas pessoas torceram o nariz diante da eleição do escritor Paulo Coelho à cadeira 21 da Academia Brasileira de Letras, mas como a entidade já abrigou até militares, e por lá estão o ex-presidente José Sarney, o jornalista Roberto Marinho, o cirurgião plástico Ivo Pitanguy, mas nunca teve Lima Barreto, João do Rio, Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana, a presença do mago em suas fileiras não é estranha” Prof. Hélio Consolaro

Sobre os erros no livro “O Alquimista” (159ª edição, Editora Rocco)o alquimista

1. “Lembrou-se da espada — foi um preço caro contemplá-la um pouco, mas também nunca tinha visto algo igual antes.” (Pág. 71). Preço caro é erro indecoroso. Caro já significa de preço elevado. O correto é dizer que o produto está caro ou o preço está alto, exagerado, excessivo (o que não é nenhuma novidade hoje em dia).

2. ” Haviam certas ovelhas, porém, que demoravam um pouco para levantar . ” (Pág. 22)
Não há registro, em nossa literatura, de nenhum outro escritor que tenha empregado haver no plural, com o sentido de existir . Não se pode atribuir a culpa ao revisor, uma vez que esse modelo de concordância aparece mais de dez vezes em todo o livro.
Demorar , no sentido de tardar, custar , usa-se com a, e não com para: Demorou a retornar à casa dos pais .
Levantar é sinônimo de erguer; levantar-se é que significa pôr-se de pé.

3. ” Há dois dias atrás você disse que eu nunca tive sonhos de viajar.” (Pág. 86)
A impressão que fica é que PC adora brincar de escrever português. Qualquer pessoa com dois dedinhos de leitura descontraída sabe que há e atrás não combinam.
“Há dois dias atrás” é expressão redundante, pois a idéia de passado já está contida no verbo haver, sendo desnecessário o uso do advérbio atrás . A excrescência também ocorre nas páginas 103, 133, 161, 210, 242…

4. “O teto tinha despencado há muito tempo, e um enorme sicômoro havia crescido no local que antes abrigava a sacristia.” (Pág. 21)
” Fazia aquilo há anos, e já sabia o horário de cada pessoa.” (Pág. 76)
Definitivamente o verbo haver é uma enorme pedra no sapato do nosso alquimista. Quando o verbo haver é usado com outro no tempo imperfeito (ou mais-que-perfeito), emprega-se havia , e não há : “Quando você chegou, eu já estava na sala havia cinco minutos”. (Arnaldo Niskier)
O mesmo erro encontra-se ainda nas páginas 22, 83, 133, e 157…

5. “Em 1973, já desesperado com a ausência de progresso, cometi uma suprema irresponsabilidade. Nesta época eu era contratado pela Secretaria de Educação de Mato Grosso…” (Pág. 08)
Nesta época refere-se ao período em que o escritor estava escrevendo, e não a 1973. Nessa é que se usa com referência a tempo passado ou futuro. Naquela seria outra opção ajuizada. Os erros se repetem nas páginas 50, 54, 77, 119, 143, 238…

6. “— Então, nas Pirâmides do Egito, — ele falou as três últimas palavras lentamente, para que a velha pudesse entender…”(Pág. 37)
O verbo falar é intransitivo (não pede complemento); o verbo dizer é que se usa transitivamente. Falar só se usa com objeto em expressões como falar verdade, falar inglês, francês, etc.
Veja outros casos em que o verbo falar foi usado indevidamente:
” Por isso lhe falei que seu sonho era difícil.” (Pág. 38)
“O velho, entretanto, insistiu. Falou que estava cansado, com sede…” (Pág. 42)
Antes da palavra que , usa-se dizer , e não falar.

7. “E quero que saiba que vou voltar. Eu te amo porque…” (Pág. 189)
Fazer alquimia com as pessoas de tratamento, parece ser a diversão preferida de Paulo Coelho. O próximo exemplo é ainda mais dramático:
“— Eu te amo porque tive um sonho… Eu te amo porque todo o Universo conspirou para que eu chegasse até você .” (Pág. 190)
Sei que é covardia comparar PC com um dos clássicos de nossa literatura. Mas confesso que não resisti à tentação. Compare este trecho de Machado de Assis, extraído de Dom Casmurro: “Aqui tendes a partitura, escutai-a, emendai-a, fazei-a executar, e se a achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés…”

8. “Por isso costumava às vezes ler… ou comentar sobre as últimas novidades que via nas cidades por onde costumava passar.” (Pág. 22)
Não se diz comentar sobre alguma coisa , mas sim comentar alguma coisa: “Todos comentavam o desastre.” (Aurélio)
Dizer últimas novidades é chover no molhado. Novidade já pressupõe algo novo ou acontecimento recente. Não vou dizer que a expressão às vezes deveria estar entre virgulas, para não me tacharem de ranzinza. Veja outros deslizes semelhantes:
“O pastor contou dos campos de Andaluzia, das últimas novidades que viu nas cidades onde visitara.” (Pág.24)
” A gente sempre acaba fazendo amigos novos , e não precisa ficar com eles dia após dia.”(Pág. 40)
“O alquimista enfiou a mão dentro do buraco , e depois enfiou o braço até o ombro.” (Pág. 184)
Últimas novidades… fazer amigos novos.. . enfiar dentro… Por que será que os alquimistas gostam de fazer isso com a gente? Por quê?!

9. ” Todos os dias o rapaz ia para o poço esperar Fátima.” (Pág. 157)
A preposição a indica deslocamento rápido, provisório; para, permanência definitiva: Quem vai à praia vai passear; quem vai para o litoral vai morar lá.

10. “Entretanto, à medida em que o tempo vai passando, … ” (Pág. 47)
Não existe a expressão à medida em que , mas sim à medida que.

11. “O rapaz deu uma desculpa qualquer para não responder aquela pergunta.”(Pág. 25)
“Então ele sentiu uma imensa vontade de ir até lá, para ver se o silêncio conseguia responder suas perguntas.” (Pág. 161)
Quem responde responde a alguma coisa: ( responder àquela pergunta, responder a suas (ou às suas ) perguntas)

12. “O rapaz assistiu aquilo tudo fascinado.” (Pág. 207)
O verbo assistir no sentido de observar exige a preposição a. A expressão àquilo tudo equivale a a tudo aquilo.

13. “Mas tinha a espada em sua mão.” (Pág. 175)
“…Um cavaleiro todo vestido de negro, com um falcão em seu ombro esquerdo.” (Pág. 173)
Não se emprega o possessivo quando se trata de parte do corpo, qualidade do espírito ou peças do vestuário. Nesse caso, usa-se apenas o artigo: (na mão, no ombro).

14. “A menina ficava deslumbrada quando ele começava a lhe explicar que as ovelhas devem ser tosquiadas de trás para frente .” (Pág. 41)
“— Daqui para frente você vai sozinho — disse o Alquimista.” (Pág. 229)
A expressão correta é para a frente (sempre com a presença do artigo). Qualquer gramática elementar registra isso.

15. ” Ao invés de encontrar um homem santo, porém, o nosso herói entrou numa sala e viu uma atividade imensa…” (Pág. 58)
” Ao invés do aço ou da bala de fuzil, ele foi enforcado numa tamareira também morta.” (Pág. 178)
A locução ao invés de só se usa quando há idéias opostas; significa ao contrário de : A o invés de atacar, o time só joga na retranca. Quando as alternativas não são contrárias, utiliza-se em vez de, que quer dizer em lugar de: Em vez de jogar com dois atacantes, o time jogou apenas com um.

16. “Tinham-se passado onze meses e nove dias desde que ele havia pisado no continente africano.” (Pág. 95)
O verbo pisar é transitivo direto; rejeita, pois, a preposição em . (Corrija-se para: …havia pisado o continente )
“O chão estava coberto com os mais belos tapetes que já havia pisado , e do teto pendiam lustres de metal amarelo trabalhado, coberto de velas acessas .” (Pág. 167)
Aqui o verbo pisar foi empregado corretamente. O exemplo só perde o brilho devido ao erro que aparece na última palavra. É culpa do revisor.

17. “Quase ia falando do tesouro, mas resolveu ficar calado. Senão era bem capaz do árabe querer uma parte…” (Pág. 65)
Na linguagem escorreita não se usa capaz por provável (nem possível ), fato comum na comunicação descontraída, em portas de botequins: (…era bem provável que o árabe quisesse ).

18. “A África ficava a apenas algumas horas da Tarifa.” (Pág. 43)
“Ah, se eles soubessem que a apenas duas horas de barco existem tantas coisas dife- rentes.” (Pág. 71)
“Estamos há apenas duas horas da Espanha.” (Pág. 65 )
O advérbio apenas não deve ficar entre a preposição e o termo regido.Corrija-se para apenas a.
Não se deve dizer da Tarifa , como está no primeiro exemplo, e sim de Tarifa. Com exceção de Cairo, Rio de Janeiro e Porto, nomes de cidade não exigem artigo.
A presença da palavra há exercendo o papel de preposição, no terceiro exemplo, é um pecado inominável. Não é coisa de gente sóbria.
Desculpe-me de minha franqueza, meu prezado alquimista, mas quem redige dessa maneira não deve ter a menor consideração para com seus leitores.

19. ” Já não havia mais a esperança e a aventura…” (Pág. 79)
O uso simultâneo de já e mais constitui redundância. Elimine um dos dois termos, e a oração ficará irrepreensível.
“Se a gente não for como elas esperam ficar, chateadas.” (Pág. 40)
Tarefa ingrata é tentar descobrir o sentido dessa frase. Cabeça de mago e bumbum de criança sempre têm coisas estranhas, muito estranhas…

20. ” ‘O pipoqueiro’ , disse para si mesmo, sem completar a frase.” (Pág. 55)
Ora, se a frase não foi concluída, então a expressão deve terminar com reticências. Pois a função dos três pontos é exatamente indicar a omissão intencional de uma coisa que se devia ou podia dizer:
Correção: “O pipoqueiro…”

21. “Depois de vencidos os obstáculos, ele voltava de novo…” (Pág.113)
Obstáculos não se vencem; superam-se. Os desafios é que são vencidos.

22. “E que tanto os pastores, como os marinheiros, como os caixeiro-viajantes , sempre conheciam…” (Pág. 26)
Nas palavras compostas por substantivo + adjetivo, flexionam- se os dois elementos.

23. ” Assim que sentaram na única mesa existente, o Mercador de Cristais sorriu.” (Pág. 78)
Sentar na mesa deve ser muito engraçado mesmo. Os alquimistas, assim como os políticos, talvez tenham por hábito sentar na mesa. Pessoas normais, contudo, sentam-se à mesa.

24. “Naquela época não havia imprensa… Não havia jeito de todo mundo tomar conheci-mento da Alquimia.” (Pág. 133)
Devemos empregar todo o e toda a quando essas expressões equivalerem a o…inteiro e a…inteira: Não havia jeito de o mundo inteiro tomar conhecimento da Alquimia. Todo e toda (sem o artigo) significa qualquer. Toda gramática ensina isso.

25. “A visão logo sumiu, mas aquilo lhe deixou sobressaltado.” (Pág. 162)
Segundo mestre Aurélio, o verbo deixar no sentido de “fazer que fique (em certo estado ou condição); tornar é transitivo direto: Deixei-o alegre; A transação deixou-o rico”.
Na página 167, PC escreveu com rara sobriedade: “O que viu deixou -o extasiado”.

26. ” Para quê tanto dinheiro?” (Pág. 203)
O acento só se justificaria se o que estivesse no final da frase: “Tanto dinheiro para quê ?”.

27. “Mas de repente a vida me deu dinheiro suficiente, e eu tenho todo o tempo que preciso.” (Pág. 100)
Na linguagem apurada, o verbo precisar não abre mão da preposição de: (todo o tempo de que preciso ), a menos que ele venha antes de infinitivo.
Sem querer me parecer ranheta, acho que “de repente” ficaria bem entre vírgulas. É só uma questão de estilo…

28. “As pessoas preferem casar suas filhas com pipoqueiros do que com pastores.” (Pág. 49)
O correto é preferir uma coisa a outra , e nunca do que outra. (Corrija-se para: …pipoqueiros a casá-las com pastores .)

29. “Então os guerreiros viviam apenas o presente… e eles tinham que prestar atenção em muitas coisas.” (Pág. 164)
“No presente é que está o segredo; se você prestar atenção no presente, poderá melhorá-lo.” (Pág. 166)
Presta-se atenção a alguém ou a alguma coisa, e não em.

30. “Ninguém disse qualquer palavra enquanto o velho falava.” (Pág. 170)
“O camelos são traiçoeiros: andam milhares de passos, e não dão qualquer sinal de cansaço.” (Pág. 181)
Qualquer se usa nas orações declarativas afirmativas; nas negativas, usam-se nenhum e suas variações: ” Veio duma cidade qualquer , sua vida não foi boa nem má; foi como a dos homens comuns, a dos que não fizeram nenhum destino…” (Cecília Meireles)

31. “A velha pediu para que ele repetisse o juramento olhando para a imagem do Sagrado Coração de Jesus.” (38) (Correção: … pediu que ele …)
“… Pediu para lhe mostrar onde morava Fátima.” (Pág. 189 ) (Correção: Pediu que lhe mostrasse …)
Seguindo a gramática à risca, pedir para só se usa para solicitar licença, permissão ou autorização. Nos demais casos, usa-se pedir que : “Minha mãe ficou perplexa quando lhe pedi para ir ao enterro”. (Machado de Assis) / ” Pedira delicadamente que não se deixasse exposto à vista nada de valor”. (Carlos Drumond de Andrade).

32. “— Podemos chegar amanhã nas Pirâmides…” (Pág. 66)
“O rapaz se aproximou de uma mulher que havia chegado no poço…” (Pág. 150)
“Chegou na pequena igreja… quando já estava quase anoitecendo.” (Pág. 245)
Chegar em um lugar é regência dominante na fala brasileira e é encontradiça em alguns escritores medíocres ou sem muita expressão no meio literário, salvo raríssimas exceções.
Verbos de movimento exigem a , e não em: Chega-se sempre, e bem, a algum lugar. O único caso em que se pode empregar em com chegar é na referência a tempo: chegar em cima da hora .
É muito comum a expressão chegar em casa. Os escritores de boa nota, contudo, preferem chegar a casa: “Ao chegar a casa, Tavares encontrou a irmã preocupada”. (Dias Gomes)

33. “— Por que quis me ver? — disse o rapaz.” (Pág. 180)
“— E por que o deserto ia contar isto a um estranho, quando sabe que estamos há várias gerações aqui? — disse outro chefe tribal.” (Pág. 168)
Quando há uma pergunta, no discurso direto, o sensato é empregar um destes verbos: indagar, perguntar, interrogar…

34.”Mas as crianças sempre conseguem mexer com os animais sem que eles se assustem. Não sei porquê . ” (Pág. 36 ) (Correção: Não sei por quê. )
“E por que ?” (Pág. 56 ) (Correção : E por quê? )
“Até que um deles, o mais velho (e o mais temido), perguntou porque o cameleiro estava tão interessado em saber o futuro.” (Pág. 165 ) (Correção: …por que o cameleiro…)
“Não pergunte porquê ; não sei.” (Pág. 209 ) (Correção: Não pergunte por quê;… )
Entre muitas outras coisas, Paulo Coelho também não domina o uso dos porquês.
Veja como mestre Salomão Serebrenick elucida o caso sem magia nem bruxaria, no seu fabuloso livro 70 Segredos da Língua Portuguesa:
“A melhor norma prática a seguir é esta: só juntar os dois elementos num único caso — quando se tratar de uma resposta ou de uma explicação; nos demais casos, que constituem a grande maioria, separar os dois elementos.
Em final de frase, acentua-se o e: Já sei por quê. Também se acentua quando se trata de substantivo: É bom conhecer o porquê das coisas .”

35. “Eu lhe ensinarei como conseguir o tesouro escondido. Boa tarde .” (Pág. 51)
O verbo ensinar merece atenção muito especial. Quando se ensina algo a alguém, temos: O professor ensinou- lhe a lição. Quando se ensina alguém a fazer algo, temos: O professor ensinou- o a ler e escrever.
No segundo caso, temos um erro quase que insignificante. Mas não nos esqueçamos de que a língua é feita de detalhes: os cumprimentos bom-dia, boa-tarde e boa-noite só se constroem com hifem. É uma pena que certos alquimistas não estejam preocupados com essas coisas miúdas: o negócio deles é encontrar a pedra filosofal. Aposto que nem querem saber se hifem é variante de hífen. O vernáculo para eles está em último plano.

36. “Mas o comerciante finalmente chegou e mandou que ele tosquiasse quatro ovelhas.” (Pág. 25)
O verbo mandar na acepção de ordenar rege o pronome oblíquo o . No entanto, se o infinitivo for um verbo transitivo, como no caso em questão, é admissível também o pronome lhe. Segundo Celso Luft, também é correto construir: mandou-o (ou mandou-lhe) que tosquiasse as quatro ovelhas. Assim, PC teria quatro motivos para não pecar:
a) …mandou-o que tosquiasse…
b) …mandou-lhe que tosquiasse…
c) …mandou-o tosquiar…
d) …mandou-lhe tosquiar…

Fonte: Prof J. Milton Gonçalves, autor de: “Gafes Esportivas” e “Tira-Teimas de Portguês”

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12 comentários em “As Pérolas do Paulo Coelho

    katinguele disse:
    10 março, 2007 às 12:49 pm

    paulo coelho, eu amo ele, nosso melhor poeta, tá na cara

    Jonatan disse:
    12 março, 2007 às 1:07 am

    Liberdade poética é uma coisa, agora “distorção” gramatical é outra.

    christiana disse:
    7 maio, 2007 às 1:58 am

    Nota-se que aquela mocinha “ama ele”.

    Muito boa crítica!

    José Carlos disse:
    7 maio, 2007 às 4:00 am

    Definitivivamente,

    Eu até tento entender português… Li esse livro e o compreendi perfeitamente, do começo ao fim, mas nunca percebi nenhum erro no livro.
    Estou dizendo, erros que não me fizessem entender o texto. Quando aparecem palavras grafadas erradas é uma coisa, agora erros de concordância…. Isso é um problema pra mim, porque na maioria das vezes que me mandam analizar uma frase eu não acho erro algum… e sempre tem um bendito verbo que não concorda com não sei o que, pronome empregado errado, uso do “que”, “da qual”, “o qual”, e por aí vai…
    Por exemplo, me disseram uma vez que a frase, “Os cruzeirenses venceram os atleticanos”, é ambígua! Que você não pode dizer quem venceu quem. Eu no meu humilde entendimento, entendo que “os cruzeirenses” é que venceram, mas pela análise gramatical está errada a frase. O certo seria “Aos cruzeirenses, venceram os atleticanos”. Aí sim seria tirado a ambiguidade da frase!! Mas que M…!!!!!!!!!!
    Ninguém fala assim no dia a dia, por isso que eu continuo a não entender português, e ainda acho que, os cruzeirenses venceram os atleticanos…. Ou não???
    😀

    Eu mesmo disse:
    7 maio, 2007 às 4:01 pm

    Paulo Coelho usa linguagem coloquial. Comparar com Machado de Assis é sacanagem.
    Ele não é o único autor contemporâneo que escreve assim.

    ogumsi disse:
    8 maio, 2007 às 12:32 pm

    É certo que alguns erros devem ser corrigidos, mas não podemos esquecer da “Lei da Impermanência”, ou seja, tudo é mutável, tudo é passageiro, inclusive as regras gramaticais agarradas com tanto fervor, como se fossem um bote salva-vidas.

    Fabi disse:
    10 maio, 2007 às 12:21 pm

    Boa crítica, mas não culpo PC pelos erros. Culpo a educação brasileira aplicada nas escolas. Cada vez vem decaindo mais.

    Acho-o um bom escritor no que se refere as idéias, a história em si.

    Sobre concordância, gramática, “atire a 1º pedra aquele que nunca errou[erra]”.

    Abraços

    Karla disse:
    10 maio, 2007 às 8:31 pm

    Ah Brasil, Brasil… Pobre Brasil, sempre é culpado de tudo. Seja na educação, na gramática, enfim! Eu sou brasileira, mas moro na França. Entrei nesse site por mero acaso. Não posso me furtar de não deixar meu comentário. Há um tempo atrás, fiz um curso na Aliança francesa. Minha professora se revolta com os ‘vícios de linguagem’ usados pelos parisianos. Não só oral, como na escrita. Portanto, não vamos culpar a educação brasileira por mais um fato que não compete ao Brasil. Vícios de linguagem são mundiais e alguns erros gramaticais ocorrem de inúteis regras que nos foram impostas. Ter um português escrito corretamente é muito bonito, óbvio. Alguns erros passam completamente incógnitos, diferente de outros erros que é uma agressão aos meus olhos e aos meus ouvidos ler e escutar ‘pérolas’ do tipo: ‘É para mim fazer?’. Agora, para quem estudou português mesmo, deve saber que escritores, poetas, compositores e etc. cometem erros gramaticais. Estudei isso em ‘figuras de linguagem’. Cometem não só para poderem dar um melhor entendimento ao leitor, devido a complexidade gramatical portuguesa, como para obter uma melhor ‘estética’ no texto. Fico pasma com brasileiros que atiram pedra em Paulo Coelho. Gostemos ou não de sua literatura, ele errando ou não gramaticalmente, o fato é: Ele é o que é. E não queiram saber o quanto estou feliz e orgulhosa de saber que um brasileiro(Paulo Coelho) marcou uma tarde de autógrafos no Champs Elizeé e, em menos de duas horas, esgotaram os convites. Só estavam disponíveis 200. Brasil, Brasil.. O que te falta é amor próprio.

    Karla disse:
    10 maio, 2007 às 8:32 pm

    Ah Brasil, Brasil… Pobre Brasil, sempre é culpado de tudo. Seja na educação, na gramática, enfim! Eu sou brasileira, mas moro na França. Entrei nesse site por mero acaso. Não posso me furtar de não deixar meu comentário. Há um tempo atrás, fiz um curso na Aliança francesa. Minha professora se revolta com os ‘vícios de linguagem’ usados pelos parisianos. Não só oral, como na escrita. Portanto, não vamos culpar a educação brasileira por mais um fato que não compete ao Brasil. Vícios de linguagem são mundiais e alguns erros gramaticais ocorrem de inúteis regras que nos foram impostas. Ter um português escrito corretamente é muito bonito, óbvio. Alguns erros passam completamente incógnitos, diferente de outros erros que é uma agressão aos meus olhos e aos meus ouvidos ler e escutar ‘pérolas’ do tipo: ‘É para mim fazer?’.

    ana laura disse:
    13 junho, 2007 às 2:16 am

    Não gosto de Paulo Coelho. Nunca gostei.
    Mesmo antes de começar minha graduação em Letras, sabia que PC não era literatura. Infâmia então é chamá-lo de poeta! No máximo, um escritor de puro entretenimento, ou para quem gosta (e me pergunto o porquê de tantas pessoas gostarem), uma auto ajuda básica e fanfarrona. Mas também não critico ferrenhamente quem o lê, afinal, é leitura fácil e popular (mascarada de coisa cult).

    Sou contra o preconceito linguístico, mas obviamente, fico indignada que um membro da “nossa” academia de Letras não saiba usar corretamente o verbo haver. Que escreva coisas tão grotescas. Ele devia era fazer alquimia com a transitividade dos verbos. Não tem desculpa para isso.

    Nem editor decente o cara tem.

    Teresa disse:
    21 outubro, 2007 às 2:03 pm

    Pessoalmente… confesso abominar Paulo Coelho (que deve rir a bandeiras despregadas de todos os seus detractores enquanto analisa os extractos das contas bancárias).

    Tropecei por puro acaso nesta sua crítica há dias (e não há dias atrás, como tanta gente insiste em dizer, coisa que me põe os cabelos em pé e a minha amiga/o meu amigo (?) tão bem fez notar), quando procurava esclarecer uma dúvida de português. A sua página foi imediatamente para a pasta das coisas a ler quando houver tempo – calhou hoje.

    Parabéns pela belíssima ensinadela.

    Sabe que palavra é actualmente mais atropleada em Portugal? É o adjectivo “solarengo”, no qual passo a vida a tropeçar querendo significar “soalheiro”.
    Julgo que deve conhecer o Ciberdúvidas, que recomendo a toda a gente. Aqui fica o link: http://ciberduvidas.sapo.pt/.

    Um abraço de Lisboa.

    Cássia disse:
    15 janeiro, 2008 às 12:53 pm

    Não tenho preconceito lingüístico. A eficácia do processo comunicativo é que importa, de fato. Mas quando se trata de literatura a coisa muda. Se vamos escrever é necessário aplicar as regras gramaticais da forma devida. Todo mundo sabe que não se escreve como se fala. E nesse ponto sou bem conservadora mesmo. Paulo Coelho é um lixo literário, seja em termos de conteúdo ou de forma. É como alguém comentou: auto-ajuda mascarada de cult.

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