Fonética e Fonologia

Tonicidade

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Prosódia: “pronúncia regular das palavras, com a devida acentuação”

Leia corretamente.
Evite a silabada!

Foi escolhido o prêmio NoBEL de Física.

O reCÉM-criado departamento de compras foi um ato desta diretoria.

O ensino graTUIto é obrigação do Estado.

A conferência iBEro-americana atingiu seus objetivos

Ele representava o arQUÉtipo do pai.

Neste ÍNterim, as crianças saíram da sala.

O chefe colocou sua ruBRIca em todas as folhas do processo.

Diferentemente do que todos pensavam, meu avô não era uma pessoa puDIca.

O assaltante manteve o reFÉM dentro do carro roubado.

O atleta bateu o seu próprio reCORde nesta competição.

O incêndio ocorreu por causa de um curto-cirCUIto.

É preciso trocar o FLUIdo do carro.

fonte: Nossa Língua Portuguesa 

Aparelho Fonador

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Você deveria consultar em Categoria: Fonética e Fonologia para para ampliar a informação do gráfico acima.

 

 

Características e Propriedades da Sílaba

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Na maioria dos casos, os falantes não encontram dificuldades para segmentar o discurso em sílabas, pois há várias situações de uso da língua em que a consciência da sílaba é exigida. Isso ocorre, por exemplo, quando o falante emite o discurso em pequenos segmentos para enfatizar a mensagem ou para discriminar melhor sua pronúncia.

De-va-gar.

Cal-ma.

Ne-ga-ti-vo.

No discurso escrito, as palavras podem ser segmentadas para acomodar melhor o texto no final da linha tipográfica. Esse processo, conhecido como hifenização, segmenta as palavras preservando as sílabas. Quando segmentamos o discurso em sílabas percebemos as dificuldades que envolvem uma definição rigorosa dessa unidade formal. São dificuldades semelhantes às encontradas na definição de palavra. Vejamos, na seqüência, características relevantes das sílabas.

Vamos começar pelas características básicas para, em seguida, aprofundar a análise. A sílaba resulta da segmentação do discurso em nível fonológico, portanto não é unidade significativa. A sílaba se compõe de um número reduzido de fonemas, que varia geralmente entre um e cinco. As sílabas com vogal são a quase totalidade e, nesse caso, só uma vogal está presente.

Pronunciabilidade

A sílaba é pronunciável. Observe a segmentação a seguir:

P-r-a-g-a.

Neste caso, não temos uma segmentação em sílabas porque alguns segmentos não podem ser pronunciados isoladamente como /p/ ou /g/.

Unidade mínima livre de pronúncia

Os fonemas são as unidades mínimas da fonologia e não admitem segmentação, tanto que não existe nível de análise do discurso inferior ao de fonema. Já a sílaba pode ser formada por mais de um fonema. É divisível, portanto. A sílaba é uma unidade formal, mas em outro sentido. Considere a série de sílabas a seguir:

/pá/, /pé/, /pi/, /pó/, /pu/.

Se desmembrarmos as sílabas apresentadas em segmentos menores, certamente poderemos pronunciar alguns desses segmentos como:

/á/, /é/, /i/, /ó/, /u/.

No entanto, não será possível pronunciar isoladamente o fonema /p/. Os segmentos da série são mínimos no aspecto da pronúncia, no sentido de que um desmembramento adicional gera segmentos impronunciáveis.

Considere outra série de sílabas:

/fã/, /vá/, /sé/

Neste caso, é possível desmembrar as sílabas em segmentos menores, todos pronunciáveis. É possível pronunciar isoladamente /f/, /v/, /s/, /ã/, /á/ e /é/. No entanto, praticamente não encontramos situações em que /f/, /v/ e /s/ ocorrem em condição de independência. A ocorrência desses fonemas é condicionada à presença simultânea de outros fonemas adjacentes. Em outras palavras: são ocorrências presas. O desmembramento das sílabas desta série em segmentos menores gera itens pronunciáveis, mas nem todos são formas livres.

Para ser caracterizado como sílaba o segmento deve ser livre e mínimo do ponto de vista da pronúncia.

Todo fonema pertence a uma sílaba

A divisão silábica deve ser feita de tal maneira que todos os fonemas do discurso pertençam a uma sílaba. Veja o exemplo:

* P-ra-to.

A segmentação gerou as sílabas /Rá/ e /tô/ que ocorrem comumente em língua portuguesa. No entanto, deixou o fonema /p/ isolado, logo a divisão silábica falhou. O correto, neste caso, é a divisão:

Pra-to.

Fonemas agrupados em torno de vogal

Há casos raros de sílabas sem vogal como, por exemplo:

Pst.

No entanto, a quase totalidade das sílabas apresenta uma e só uma vogal. Podemos dizer que a vogal é a base da sílaba. Essa característica está ligada à pronunciabilidade. É a vogal que dá suporte à realização dos outros fonemas da sílaba. É como se os demais fonemas se apoiassem na vogal para serem pronunciáveis.

Alguns foneticistas propõem que nos casos raros em que a sílaba não apresenta vogal, há uma consoante desempenhando a função de vogal, ou seja, viabilizando a pronúncia dos demais fonemas da sílaba.

A sílaba admite apenas uma vogal. Quando uma sílaba apresenta dois fonemas com características de vogal, só um será emitido com qualidade vocálica plena. Os outros serão emitidos de forma diferenciada e classificados como semivogais. A semivogal é uma emissão vocálica minimizada, digamos, pela presença de uma vogal adjacente.

Unidade de emissão do aparelho fonador

Alguns foneticistas propõem que a sílaba é a unidade de emissão do aparelho fonador. Ao que tudo indica, existe correspondência entre os movimentos musculares do aparelho fonador e a emissão de sílabas. Nesse sentido, a sílaba é a unidade fisiológica de pronúncia. O que caracteriza a sílaba na abordagem fisiológica é a emissão de um conjunto de fonemas em um único movimento expiratório do aparelho fonador.

Propriedades da sílaba

A divisão silábica pode ser o elemento diferencial entre duas palavras, como no caso a seguir:

Ele sabia de tudo.

Canto do sabiá.

A principal diferença entre as palavras em negrito está na divisão silábica. Na palavra /sá-‘bya/ temos duas sílabas e na palavra /sá-bi-‘á/ temos três. Na palavra de duas sílabas, a vogal /i/ se reduziu a semivogal, em função de estar na mesma sílaba que /á/.

Analisando as possibilidades de organização das sílabas da língua portuguesa chegamos ao seguinte quadro:

Fonemas Arranjo * Exemplos

3

CCV

Pra-ga, tro-te, cra-te-ra.

CSV

ín-dio, có-pia.

CVC

Foz, cortês, descurvar.

CVS

Vai, réu, caução.

SVS

Uai.

VCC

Abs-tra-to.

4

CCVC

Gris, tris-te.

CCVS

Um-bral, plau-sí-vel, gnai-sse.

CSVS

En-xa-güei.

CVCC

Fê-nix.

CVSC

Meus, nor-mais.

* C=Consoante, S=Semivogal e V=Vogal.

Outras combinações são possíveis, mas raras em nosso idioma. A palavra script (s-cript), por exemplo, apresenta sílaba com a combinação CCVCC.

Sílabas com consoantes são bastante raras em nossa língua. São exemplos:

S-tress

S-cript

Algumas combinações com número alto de fonemas admitem pronúncias variantes em que a sílaba é dividida em duas como a seguir:

en-xa-güei ou en-xa-gü-ei.

A análise das combinações de fonemas em sílabas nos permite algumas conclusões:

  • A vogal é a base da sílaba. Em torno dela gravitam semivogais e consoantes.

  • As semivogais se ligam diretamente a uma vogal, antes ou depois desta.

  • A consoante pode ocorrer adjacente a outra consoante, mas não há sílabas com três consoantes seguidas.

  • A consoante se liga a outra consoante, a uma semivogal ou à vogal.

A partir das regras anteriores de formação de sílabas podemos chegar a um modelo geral para a composição da sílaba:

(C)(C)(S)V(S)(C)(C)

Veja exemplos de aplicação do modelo.

  (C) (C) (S) V (S) (C) (C)  
        a   b   dicar
bu       e i     ro
  p r   a       ga
    c   o   r   tês
        a   b s trato
  t r   i   s   te
  p l   a u     sível
enxa   g ü e i      
nor   m   a i s    
com p r   a i s    
s c r   i   p t  

fonte: Radamés Manosso

 

Consoantes da Língua Portuguesa Brasileira

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N

a língua portuguesa brasileira, usamos 19 consoantes, representadas na tabela a seguir, onde estão classificadas pelas suas características de produção no aparelho fonador.

Papel da cavidade nasal

Oral

Nasal

Modo de articulação

 

Oclusiva

Constritiva

Oclusiva

Fricativa

Lateral
aproximante

Vibrante

Papel das cordas vocais

Surda

Sonora

Surda

Sonora

Sonora

Sonora

Sonora

Ponto de articulação

 

Bilabial

/ p /
pato

/ b /
barco

 

 

 

 

/ m /
mapa

Labiodental

 

 

/ f /
fita

/ v /
vida

 

 

 

Linguodental

/ t /
ou

tato

/ d /
ou

dedo

         

Alveolar

 

 

/ s /
sapo

/ z /
zíper

/ l /
lado

/ r /
arara

/ n /
neto

Pós-alveolar

 

 

/ x /
ou

xeque

/ j /
ou

jato

 

 

 

Palatal

 

 

 

 

/ λ /
ou

telha

 

/ ñ /
ou

lenha

Velar

/ k /
casa

/ g /
gato

 

 

 

 

 

Uvular

 

 

 

   

/ R /
rato

 

Nos casos em que há diferença entre a TBB (Transcrição biunívoca brasileira) e a TIPA (Transcrição da International Phonetic Association), incluímos as duas representações: a TBB entre barras e a TIPA entre colchetes.

 

fonte: Radamés Manosso

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Vogais da Língua Portuguesa Brasileira

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N

a língua portuguesa brasileira, usamos 13 vogais, representadas nos quadros abaixo.

Vogais orais


Representação TBB (Transcrição biunívoca brasileira) entre barras e
representação IPA (International Phonetic Association) entre colchetes.

Vogais nasais


Representação TBB (transcrição biunívoca brasileira) entre barras.

As vogais brasileiras foram representadas nos quadros acima em posições e com os símbolos das vogais cardeais do IPA. Não se deve concluir disso que as vogais brasileiras correspondem exatamente às vogais cardeais. Com esse artifício, estamos mostrando que nossas vogais estão localizadas no trapézio vocálico em posições próximas às das vogais cardeais.Um posicionamento mais rigoroso e uma descrição mais apurada das nossas vogais ainda precisam ser desenvolvidos pelos foneticistas.

 

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fonte: Radamés Manosso

Fonemas da Língua Portuguesa

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O idioma português utiliza 34 fonemas, sendo 13 vogais, 19 consoantes e 2 semivogais. Estão representados na tabela a seguir:

 

fonema *

Características fonéticas

Exemplos **

* Foi utilizado um conjunto de grafemas adaptado à realidade brasileira. Não corresponde integralmente ao Alfabeto Fonético Internacional.

** Em ortografia oficial do português.

*** Os grafemas em negrito nas palavras têm, também e vivem representam o encontro vocálico da vogal /ẽ/ com a semivogal /y/.

**** Os grafemas em negrito na palavra falam representam o encontro vocálico da vogal /ã/ com a semivogal /w/.

Arbitrariedade da lista.

A definição da lista de fonemas do português tem uma dose de arbitrariedade. Vejamos dois casos especiais em que a definição dos fonemas requer maiores cuidados.

Estrangeirismos

Existem palavras dicionarizadas em português como hardware e hub, que apresentam H aspirado. Diante disso, seria de se esperar que esse fonema fosse incluído na lista dos fonemas do português. Nessa perspectiva, porém, a lista se ampliaria com uma profusão de fonemas de uso muito restrito em nosso idioma. O H aspirado é repelido pelos hábitos fonéticos de nossa língua. Sua utilização se restringe à palavras estrangeiras incorporadas recentemente ao idioma. Outras palavras que apresentavam H aspirado no idioma de origem passaram por uma acomodação fonológica ao serem incorporadas ao português, perdendo o fonema aspirado.

A conclusão a que se chega é que os fonemas que podem ser considerados genuínos do idioma são aqueles de uso amplo e não repelidos pelos hábitos fonéticos da comunidade. É claro que a língua é viva e os hábitos mudam. O contato com a língua inglesa, com o passar do tempo, pode levar à incorporação do /h/ à nossa língua .

Variações regionais.

Alguns fonemas não relacionados em nossa tabela estão presentes em variantes regionais de pronúncia. No Rio Grande do Sul, por exemplo, é comum pronunciar palavras como sul, naval e gentil usando uma variação do /l/ no final dessas palavras, em vez da semivogal w como é comum no resto do país. Da mesma forma, os cariocas usam contrações específicas de /tx/ e /dj/ em palavras como noite e dia. Essas realizações fonéticas poderiam ser consideradas como fonemas mas não entram na tabela devido ao caráter regional.

 

fonte: Radamés Manosso

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